Motivação

Motivação refere-se a um estado interno que pode resultar de uma necessidade. É descrito como despertador, de comportamento geralmente dirigido para a satisfação da necessidade desejada por um individuo. Motivos estabelecidos principalmente pela experiência são conhecidos simplesmente como motivos. Aqueles que surgem para satisfazer necessidades básicas relacionadas com a sobrevivência e derivados da psicologia são geralmente chamados de impulsos (Davidoff, 2004).

            Segundo Woolfolk e Nicolich (1984), a motivação debruça-se sobre 3 questões fundamentais: saber o que leva um sujeito a iniciar determinada atividade, a razão que leva a focar-se num determinado objetivo e a causa pela qual persiste em realizar esse objetivo. Com todos estes conhecimentos, é possível ao educador (professor e/ou treinador) organizar e orientar melhor o seu trabalho, promovendo um clima motivacional positivo, proporcionando situações do agrado daqueles a quem se dirige, favorecendo um processo ensino-aprendizagem mais eficaz. Como diz Frias e Serpa (1991), apenas depois de conhecer os porquês é possível que o professor seja eficaz e consequente nos comos. Não basta ter um conhecimento sobre os fatores que influenciam a motivação dos jovens, é preciso saber o que fazer com eles, utilizando-os da melhor forma.

É difícil definir exatamente o conceito de motivação, uma vez tem sido utilizada com diferente sentido. De modo geral, motivo é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma ou, pelo menos, que dá origem a uma propensão a um comportamento específico. Esse impulso à ação pode ser provocado por um estímulo externo e pode ser também gerado internamente nos processos mentais do individuo (Chiavienato, 1997).

Segundo Paim (2002), motivação é um termo que abrange qualquer comportamento dirigido para um objetivo que se inicia com um motivo, esse provoca um determinado comportamento para a realização do que se foi objetivado, sendo assim indivíduos diferentes podem praticar a mesma atividade. Daí foram realizados vários estudos para verificar os principais fatores motivacionais que têm levado as pessoas a procurarem os ginásios para procurarem a solução para os seus motivos. Sabemos também como foi situado por Donizete (2001) que a motivação é totalmente individualizada e diferenciada em sua complexidade.

Motivação pode ser descrita como a força motriz interna dos indivíduos que os impele à ação. Esta força produzida por um estado de tensão, que existe em função de uma necessidade de insatisfação. Os indivíduos esforçam-se tanto consciente quanto inconsciente para reduzir esta tensão através do comportamento que eles esperam que vá satisfazer suas necessidades e, portanto, aliviá-lo da tensão que sentem (Schiffmam & Kanuk, 2000). Não importa o tipo de tratamento que se pretende desenvolver em um individuo o caminho motivacional será sempre o de suas necessidades pessoais, sejam elas físicas, espirituais, estéticas, económicas. (Feijo, 1998).

Segundo Samulski (2002), a motivação pode ser definida como um processo ativo e intencional, orientada á um objetivo, no qual depende da interação de fatores pessoais e ambientais, ou seja, fatores intrínsecos e extrínsecos.

 

A motivação é um termo que abrange qualquer comportamento dirigido para um objetivo, que se inicia com um motivo e provoca um comportamento específico para a realização de uma determinada meta.

(Paim, Pereira, 2004)

 

A motivação pode ser dividida:

  • Motivação Extrínseca;
  • Motivação Intrínseca.

 

A motivação extrínseca ocorre em todos os seus níveis, relaciona-se com razões fora da atividade, como integração a determinado grupo, reconhecimento, evitar o castigo ou receber uma premiação, são atividades que são realizadas não apenas pelo prazer que elas proporcionam (Amorim, 2010).

A motivação intrínseca o sujeito ingressa na atividade por vontade própria, diga-se, pelo prazer e satisfação do processo de conhecê-la, explorá-la, aprofundá-la (Balbinotti, & Capozzoli, 2008). “O prazer pela atividade é promovido através da compreensão das necessidades, interesses e metas individuais” (Rocha, sem data). Segundo Amorim (2010), os indivíduos intrinsecamente motivados são aqueles que por si, conseguem realizar qualquer que seja a atividade, tendo capacidade suficiente para realizá-la, controlando as suas ações e proporcionando a si próprio o prazer e o desfrute para com as mesmas. Essa motivação pode ser acentuada se as pessoas possuírem autocontrolo, autodeterminação, autoconfiança e autonomia para realizar determinada tarefa.

            Segundo Singer (1984), os motivos intrínsecos não existem sem os extrínsecos, sendo os primeiros condição necessária dos segundos. Por outras palavras, os motivos intrínsecos determinam os extrínsecos e estes, por seu turno, regulam os primeiros, ou seja, se não existir um motivo extrínseco, o sujeito pode não se sentir motivado para determinada ação ou atividade, uma vez que não se sente totalmente satisfeito, mesmo se tiver uma elevada motivação intrínseca. Este facto assume uma maior relevância em crianças e jovens. Talvez por isto, Alderman (1983) e Brito (1994), consideraram um terceiro tipo de motivação – a intermédia, que representa uma área intermédia entre o desejo interior e a afirmação exterior (necessidade de filiação e participação no grupo).

Segundo Cruz (1996), uma das primeiras teorias psicológicas da motivação, desenvolvida por McClelland (1961) e Atkinson (1974). É uma teoria interacional, que não só tem em linha de conta os fatores pessoais (motivação para o sucesso; motivação para evitar o fracasso), mas também os fatores situacionais (probabilidade de sucesso; valores de incentivo para o sucesso) como forma de predição do comportamento em contextos de realização. Recentemente, Weinberg e Gould (1995) adaptaram esta teoria a contextos desportivos, passando a comportar cinco componentes.

A segunda teoria atrás referida, segundo Alves et al (1996), Fonseca (1996) e Costa (1998), caracteriza-se pelo modo como os sujeitos explicam para si mesmos as causas de determinados resultados que obtêm nas atividades a que se dedicam. A teoria das atribuições causais , assume assim, que a maneira como os indivíduos percecionam e explicam os seus resultados apresenta uma relação com os seus comportamentos futuros (Fonseca, 1996), podendo mesmo influenciar a sua motivação (Roberts, 1986).

A versão original desta teoria, que foi desenvolvida por Heider (1944, 1958) e popularizada nos contextos desportivos por Weiner (1979), tem por base que todas as causas indicadas pelos sujeitos para as suas ações ou resultados, podem ser classificados e analisados em três dimensões: locus de causalidade (se a causa é interna ou externa ao sujeito), a estabilidade (se as causas se mantém ao longo do tempo ou variam) e a controlabilidade (se a causa é influenciada pela acção do sujeito ou de outras pessoas).

De acordo com Malavasi (2005) quando um indivíduo inicia uma modalidade desportiva ou um programa de atividade física, normalmente encontra dificuldades na entrada desta atividade a longo prazo. Essa constatação tem alertado os pesquisadores e profissionais do desporto, sendo cada vez mais frequente a preocupação com os fatores que determinam a motivação de alunos e atletas para a prática desportiva, seja como forma de lazer ou no alto rendimento.

Freitas (1994) enumera alguns itens que podem tornar a atividade mais atraente, tais como: materiais alternativos, incentivos verbais (feedback), músicas, medalha, troféus, viagens, entre outros, possibilitando maior interesse dos participantes.

A necessidade de diversão e de sucesso deve ser priorizada em qualquer programa de iniciação desportiva e segundo Gallahue (2005): ”atletas devem ter oportunidade para competir e dar o melhor de si, mas a diversão e o companheirismo não devem ser ignorados na busca incansável de ser o “número 1”. Um estudo feito com adolescentes que se envolveram em atividades em grupo, Coakley (2001) apud Gallahue (2005) explica que os jovens mencionaram a “reafirmação das amizades” como uma das razões mais frequentes para a permanência nas atividades, o “vencer” não era a razão inicial para que os adolescentes participassem de atividades em grupo.

No âmbito dos fatores motivacionais para a prática de atividades físicas, na literatura, diferenciam de acordo com a idade, o gênero, a classe social, entre outras variáveis. Escartí e Cervelló (1994) destacam que existem vários estudos que documentam diferentes razões que levam os indivíduos a participar atividade física, tais como: fazer novos amigos, desenvolvimento pessoal, desenvolver habilidades técnicas, satisfazer os pais, desfrutar de movimentos, desejo de aventura, conseguir prestígio social, etc.

De acordo com vários estudos realizados em jovens foram descobertos vários motivos que levavam à prática desportiva, na tabela seguinte demostra quais os motivos mais importantes e os menos importantes que levam à prática de atividade física:

Meurer (2008) diz que a motivação para a prática de atividades físicas mostra-se como um conceito teórico e apresenta várias formas de mensuração na literatura. Escartí & Cervelló (1994) comentam ainda que se trata de um processo individual muito complexo em que incidem muitas variáveis interagindo entre si e que pode ser utilizada para explicar o comportamento das pessoas quando realizam atividade física.

Musculação, treino ou exercícios de força são utilizados para denominar a mesma prática (Rizzetto, 2010). Esta modalidade pode ser definida como sendo: execução de movimentos biomecânicos localizados em segmentos musculares definidos com a utilização de sobrecarga externa ou do próprio corpo (Guedes, 1997).

    Os exercícios de força, são adequados não só para indivíduos saudáveis, mas também seguro e eficiente em indivíduos cardiopatas e hipertensos (Rizzetto, 2010). O ganho de força é um fator com grande importância para que procure a musculação como uma forma de treino físico (Amorim, 2010). Neste caso o ganho de força torna-se um fator motivacional para a prática de musculação.

Num estudo realizado por Amorim (2010), os fatores motivacionais para a prática de musculação por adultos jovens com faixa etária de 18 a 30 anos, sua amostra foi composta por 40 indivíduos do sexo masculino, seus resultados demonstram que os principais fatores motivacionais estão relacionados com estética, prazer e saúde seguidos de sociabilidade, controlo de stress e por último competitividade. Liz (2011) aponta como causas mais frequente para a iniciação a musculação, um público cuja faixa etária mais frequente foi de 18 a 30 anos por ela causar a sensação de bem-estar, ajudar a manter o corpo em forma, fortalece o corpo e melhora a condição física, socialização, produz resultados rápidos, melhora saúde produz disposição para a realização de tarefas diárias. O mesmo autor revela os resultados do seu estudo quanto aos fatores mais frequentes para a desistência da prática de atividade física, sendo eles, falta de tempo, atendimento profissional desqualificado, poucos aparelhos para a prática, cansaço, ocorrência de lesão, não promover a socialização entre os praticantes, monotonia.

            Em estudo realizado para identificar a motivação para prática regular de atividades físicas em ginásios Balbinotti e Capozzoli (2008) relatam que as mulheres apresentam médias aritméticas nominais maiores que as dos homens nas seguintes dimensões: Controlo de stress, Saúde e Estética. Já os homens, apresentam maiores médias nominais nas dimensões Sociabilidade, Competitividade e Prazer.

            Silva (et al, 2008) ao realizar pesquisa sobre participação atual e passada em ginásios entre adultos: prevalência e fatores associados destaca que os motivos mais frequentemente relatados para a prática de atividades físicas nos ginásios considerando toda a amostra foram emagrecimento (22%), prazer pela prática do exercício (22%) e necessidade de preparação física (20%) sendo que os principais motivos para os homens procurarem os serviços dos ginásios foram a preparação física e o prazer pelo exercício, e para as mulheres, emagrecimento e o prazer pelo exercício.

Segundo Marcellino (2003), entre os motivos que levam os alunos a frequentarem os ginásios são relacionados: saúde e condição física, estética, relaxamento, fazer amigos e encontrar amigos, entre os motivos para as desistências anteriores foram mencionados: distância em relação à moradia, ou ao trabalho, mudança de cidade, falta de motivação (geralmente causada pela rotina), baixa qualidade das aulas, instalações inadequadas, fecho dos antigos ginásios.

Segundo Escartí e Cervelló (1994) dizem que a motivação é um tema central em qualquer esfera da atividade humana, já que no trabalho, na vida académica ou no desporto, o rendimento e os bons resultados geralmente são associados ao nível de motivação que as pessoas manifestam. De acordo com Becker Jr. (2000) e Becker Jr. & Samulski (2002) é um fator considerado como de importância fundamental para o sucesso, não somente no desporto como, de forma geral, na vida.

Como reparamos, em grande parte dos estudos realizados sobre o tema de motivação, as conclusões a que chegaram foram quase sempre as mesmas. Os motivos e a motivação que levam as pessoas a praticar atividade física, de uma forma geral são sempre as mesmas.

 

 

Bibliografia:

  • Sedorko,C. & Antunes, A. (2012). Motivação e obesidade em crianças e adolescentes na iniciação esportiva do futsal.
  • Cid, L. (2002). Alteração dos motivos para a prática desportiva das crianças e jovens.
  • Malinski, M. & Voser, R. (2012). Motivação para a prática de atividade física em academias de Porto alegre: um estudo descritivo e exploratório.
  • Araujo, A. & et al (2007). Fatores motivacionais que levam as pessoas a procurarem por academias para a prática de exercício físico.
  • Lazier, T. (2012). Motivação em academias: uma revisão bibliográfica.
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